
Não sou mulher. Meu ventre ainda não germinou.
O medo de não poder sê-lo por completo era tal, que coração bateu mais forte diante da carta em resposta às análises de fertilidade
- Antecipadas e desnecessárias -
Nunca tentei. Minha alma grita por completar o ciclo natural, mas ainda falta tanto... e tanto...
Não é tempo. Não tenciono produção independente, e pouco estou me importando em encontrar um progenitor. Não é algo que será planejado de forma unilateral ou com a frieza que levo para as demais áreas da minha vida.
De momento me perturbaria e até desmantelaria o curso das metas que tenho a cumprir. Por isso não cogito.
... Mas quero. Quero ser a fêmea caridosa e desvelada, a origem, o elo de algo concebido com amor e que venha como complemento.
Sou muito minha, somente minha, e não de quem deseja. Almejo ser de quem me tornar mulher. Se isto acontecer, renunciarei.
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