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...Veio o gosto da água fresca do filtro de barro.
12 primaveras.
O reflexo turvo do vestido florido, estampado no chão vermelho que acabara de lustrar. Pés no chão, rebelando-se ao que ralhava a voz materna.
Cabelos soltos e esvoaçantes nunca por tesoura decorridos, bem como o coração.
Era a menina Pandora, que avistava pela janela a estrada de terra do outro lado da serra. Poeira se levantava no momento que um carro por ali passava - tal e qual sua irrequieta curiosidade acerca do futuro - quando esta baixava, vislumbrava verdes prados.
Tudo sob o tórrido Sol de verão daquele País Tropical.
Asa Branca embalava em notas harmoniosas, mas não muito nítidas saídas de uma antiga radiola, da humilde casinha de madeira que se instalara a duras penas, no terreno baldio ao lado. Família humilde. Crianças com pés descalços não por rebeldia. Chão de piso batido, onde sequer engendrava-se o uso de cera. A fome era patente. Ao ritmo de Luiz Gonzaga a menina que assistia a cena “… perguntava óh Deus do céu, porquê tamanha judiação ? ...”.
Mal sabia o que era contexto.
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